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ZIZEK E A MELANCOLIA EUROCÊNTRICA

“Quem está enredado em particularidades só vê particularidades”(Hegel).

Em artigo recente, publicado no Le Monde, Slavoz Zizek volta a defender o legado ocidental da Europa afirmando que os pontos altos dos iluministas continuam centrais para o mundo. Apesar de não dizer o que entende pelo signo Europa, é importante destacar que o texto não coloca a questão no ponto em que pode se apresentar adequada e justa. E, adequada e justa, vai no sentido que Lenin estabelecia: de demarcar um problema onde ele pode ser corretamente abordado.

Não há problema algum em reconhecer o legado filosófico da Europa, cuja negação seria de um obscurantismo absurdo, mas é necessário entender que a universalidade postulada pela Europa sempre se cingiu, nas práticas correntes, às investidas imperialistas e que, sob a veste de um humanismo excludente, desencadeou políticas de inimizades, espoliando povos inteiros de seus territórios e de sua autodeterminação.

Lembro Foucault – que soube exercitar o difícil exercício da tradução e da alteridade radical engajando-se em lutas anticoloniais como na defesa da Revolução Iraniana- quando dizia que as Luzes do Iluminismo também criaram as prisões e as instituições de sequestros, as quais tiveram como laboratórios os países submetidos, com muita violência, à apropriação colonial.

Se colocarmos a questão na lógica do sistema-mundo, o conjunto de valores europeu resulta frágil e antinômico porque, como salientava Sartre, num prefácio à obra Os Condenados da Terra de Franz Fanon, tece loas abstratas à universalidade, mas trata os outros povos como particularidades a serem exploradas. Esta patente contradição, essa chaga aberta, é diariamente vista e não dá para destacar o legado da prática que desencadeia.

O caso de Hegel é interessante e é fecundo para desobstruir a questão da unilateralidade eurocêntrica. Se, em algumas passagens, Hegel afirma uma espécie de teleologia em que o espírito desde os povos antigos culmina na Europa, no cerne vivo da fenomenologia do espírito, ao analisar a dialética do senhor e do escravo, Hegel afirma categoricamente que o senhor, por estar preso às particularidades, crispado na defesa renhida de seus próprios interesses, é incapaz de adotar uma postura mais abrangente, e que o escravo,  na medida em que está despojado dos atributos da humanidade, constitui a verdadeira consciência essencial e o único a poder consagrar, desde a ética da coragem, uma perspectiva verdadeiramente universal. Eis uma verdade que lança Hegel para além do eurocentrismo e que pode ser imediatamente reinvindicada pelos povos insurgentes contra o colonialismo. Seguindo essa lógica, Marx e Engels, em A Sagrada Família, afirmam que o proletário se perde na alienação, mas, ao mesmo tempo, adquire a consciência teórica dessa perda e, que, por estar privado da humanidade, o proletário é a classe capaz de adotar o ponto de vista universal concreto e verdadeiramente humanista.

Tem razão Enrique Dussel quando afirma que estamos numa época em que floresce uma filosofia mundial da qual o protecionismo teórico do Zizek, para usar Jacques Lacan, é o sintoma mais claro, filosofia cujas novas tarefas não apartam as teorias de seus efeitos políticos: a emergência de um novo movimento anticolonial é a prova mais concreta disso.

Permitam-me uma história: certa vez, numa palestra em que criticávamos a transplantação acrítica de teorias, um participante deu a entender que nós não podíamos criticar Dworkin. Entendemos perfeitamente e respondemos: se a razão é universal, ela passa por nós, então, desde que no rigor lógico, podemos ser um momento fecundo da razão: reiteramos nossas críticas a Dworkin.

Filósofos da América Latina, da Ásia e da África, uni-vos com os seus povos.

Por: Luís Eduardo Gomes do Nascimento, Advogado e Professor da UNEB.

Žižek: A Amazônia está em chamas – e daí?

Logo que as queimadas nas florestas amazônicas desapareciam das nossas manchetes, chega a notícia de que quase 4.000 novos incêndios florestais foram iniciados no Brasil apesar do decreto emitido dias antes pelo governo brasileiro proibindo queimadas intencionais na Amazônia Legal. Esses números não podem senão acionar um alarme: estamos de fato caminhando em direção a um suicídio coletivo? Diz-se que “com a destruição das florestas amazônicas, os brasileiros estão matando os pulmões do mundo…” No entanto, se quisermos confrontar seriamente as ameaças ao nosso meio-ambiente, o que devemos evitar é precisamente esse tipo de extrapolação célere que fascina nossa imaginação. Duas ou três décadas atrás, todo mundo na Europa estava falando sobre o fenômeno da Waldsterben, a morte paulatina das florestas, o assunto estava presente nas capas de todos os semanários populares, haviam cálculos sobre como em meio século a Europa ficaria sem florestas… agora há mais florestas na Europa do que no século vinte, e estamos nos tornando cientes de outros perigos, do que acontece nas profundezas dos oceanos, por exemplo.

Embora devamos levar extremamente a sério as ameaças ecológicas, é também preciso estar plenamente consciente do quão incertas são as análises e projeções nesse quesito – só teremos certeza do que está de fato ocorrendo quando já será tarde demais. Extrapolações rápidas só fornecem argumentos para os negacionistas climáticos, então devemos evitar a todo custo a “ecologia do medo”, uma apressada fascinação mórbida por uma catástrofe absoluta.

A ecologia do medo tem todas as chances de se tornar a forma predominante de ideologia do capitalismo global, um novo ópio das massas substituindo a religião em declínio. Afinal, ela assume a função fundamental da velha religião, a de instalar uma autoridade inquestionável capaz de impor limites. A lição que essa ecologia está constantemente martelando é a da nossa finitude: somos apenas uma das espécies que habitam este nosso planeta Terra, estamos enraizados em uma biosfera que ultrapassa vastamente nosso horizonte. Ao explorarmos os recursos naturais, estamos pegando emprestado do futuro, de modo que devemos tratar nosso planeta com respeito, como algo em última instância Sagrado, algo que não deve ser totalmente desvelado, que deve e irá para sempre permanecer um Mistério, um poder no qual devemos confiar, não dominar. Embora não possamos adquirir pleno domínio sobre nossa biosfera, temos infelizmente o poder de fazê-la descarrilar, de perturbar seu equilíbrio de modo a fazer com que ela entre em descontrole, nos varrendo do mapa nesse processo. É por isso que, embora os ecologistas estejam a todo tempo demandando uma mudança radical em nosso modo de vida, por trás dessa demanda reside seu exato oposto: uma profunda desconfiança diante da mudança, do desenvolvimento, do progresso; cada transformação radical pode ter a consequência não-intencionada de deflagrar uma catástrofe.

As coisas ficam ainda mais traiçoeiras neste ponto. Mesmo quando professamos uma pronta disposição de assumir nossa responsabilidade por catástrofes ecológicas, isso pode ser um estratagema traiçoeiro para efetivamente evitar as verdadeiras dimensões da ameaça em jogo. Há algo ardilosamente reassegurador nessa prontidão de se assumir a culpa pelas ameaças ao nosso meio-ambiente: gostamos de nos sentir culpados porque, se somos culpados isso significa que tudo depende de nós, nós é que estamos dando as cartas da catástrofe, de modo que também podemos nos salvar simplesmente mudando nossas vidas. O que é realmente difícil de aceitarmos (ao menos nós do Ocidente) é estarmos reduzidos a um papel puramente passivo de observador impotente que só pode assistir impotentemente o desenrolar de seu destino. A fim de evitar essa situação, estamos propensos a mergulhar obsessiva e freneticamente em atividades, reciclar papéis velhos, comprar comida orgânica, o que quer que seja, simplesmente para que possamos ter a certeza de que estamos fazendo alguma coisa, dando a nossa contribuição – assim como um torcedor de futebol que torce pelo seu time na frente de uma tela de televisão em sua casa, gritando e saltando de seu sofá, encenando uma crença supersticiosa de que isso de alguma maneira poderá influenciar no resultado da partida…

É verdade que a forma típica de renegado fetichista no que diz respeito à ecologia é: “Eu sei muito bem (que estamos todos ameaçados), mas na prática eu ajo como se não acreditasse (de modo que não estou disposto a fazer nada realmente importante, como mudar meu estilo de vida).” Mas há também a forma inversa de renegado: “Eu sei muito bem que não posso de fato influir sobre o processo que pode levar à minha ruína (como uma explosão vulcânica), mas ainda assim é traumático demais para mim aceitar isso, de forma que não posso resistir ao impulso de fazer algo, mesmo sabendo que em última instância não fará a menor diferença…” Não é exatamente por esse mesmo motivo que compramos comida orgânica? Quem realmente acredita que aquelas maçãs “orgânicas” caras e feiinhas de fato são mais saudáveis? O ponto é que, ao comprá-las, não estamos simplesmente adquirindo e consumindo um produto – estamos ao mesmo tempo fazendo algo dotado de significado, estamos demonstrando nosso engajamento e consciência globais, es-tamos participando de um grande projeto coletivo…

A ideologia ecológica predominante nos trata como culpados a priori, em dívida com a mãe natureza, sob a constante pressão da agência ecológica superegóica que nos interpela em nossa individualidade: “O que você fez hoje para pagar sua dívida para com a natureza? Você colocou todos os jornais em um lixo reciclável adequado? E todas as garrafas de cerveja ou latas de Coca? Você usou o seu carro onde poderia ter optado por uma bicicleta ou algum transporte público? Usou ar condicionado em vez de simplesmente abrir as janelas?” É fácil discernir o que está em jogo ideologicamente nesse tipo de individualização: me perco em meu próprio autoexame ao invés de levantar questões globais mais pertinentes sobre a nossa civilização industrial como um todo.

A ecologia se empresta facilmente a mistificações ideológicas: como pretexto para os obscurantismos New Age (elogio aos “paradigmas” pré-modernos etc.), ou para o neocolonialismo (reclamações vindas do Primeiro Mundo sobre como o desenvolvimento dos países do Terceiro Mundo como o Brasil ou a China estão ameaçando todos nós), ou como uma causa de honra de “capitalistas verdes” (compre verde, recicle… como se levar em conta a ecologia justifique a exploração capitalista). Todas essas tensões explodiram nas reações aos recentes incêndios na Amazônia. Há cinco estratégias principais para ofuscar as verdadeiras dimensões da ameaça ecológica: (1) simples ignorância: trata-se de um fenômeno marginal, não digno de nossa preocupação, vida que segue, a natureza vai cuidar de si mesma; (2) a ciência e a tecnologia podem nos salvar; (3) deixe a solução a cargo do mercado (maior taxação dos agentes poluidores etc.); (4) pressão superegóica sobre a responsabilidade pessoal ao invés de medidas sistêmicas de grande porte: cada um de nós deve fazer o que pode (reciclar, consumir menos etc.); (5) talvez o pior de todos seja a promoção da ideia de um retorno ao equilíbrio natural, para uma vida mais modesta e tradicional por meio da qual possamos renunciar a húbris humana e nos tornar novamente respeitosos filhos de nossa Mãe Natureza. Todo esse paradigma da Mãe Natureza descarrilhada por nossa húbris está errado: o fato de que nossas principais fontes de energia (petróleo, carvão) sejam resquícios de antigas catástrofes que ocorreram antes do advento da humanidade é um claro lembrete de que a Mãe Natureza é uma megera fria e cruel…

Isso tudo, evidentemente, não implica de forma alguma que devamos relaxar e confiar em nosso futuro: o fato de que não está claro o que de fato está ocorrendo torna a situação ainda mais perigosa. Além disso, como está rapidamente ficando evidente, as migrações (e os muros erguidos para barrá-las) estão ficando cada vez mais entrelaçadas com perturbações ecológicas como o aquecimento global, de modo que o apocalipse ecológico e o apocalipse dos refugiados estão cada vez mais sobrepostos naquilo que Philip Alston, um Relator Especial da ONU, aparentemente denominou o “apartheid climático”. Nas palavras dele, “perigamos nos ver diante de um cenário de ‘apartheid climático’ no qual os ricos pagam para escapar do sobreaquecimento, da fome e do conflito ao passo que o resto do mundo é deixado a sofrer.” Os menos responsáveis pelas emissões globais são também os menos capacitados para se protegerem.

Então, a questão leninista: o que fazer? Estamos em uma profunda enrascada: não há uma solução “democrática” simples aqui. A ideia de que as próprias pessoas (não apenas governos e corporações) devam decidir parece profunda, mas ela exige que seja respondida uma questão importante: mesmo que seu entendimento não seja distorcido por interesses corporativos, o que as habilita a fazer um juízo a respeito de um assunto tão delicado? E mais: as medidas radicais defendidas por alguns ecologistas podem elas próprias deflagrar novas catástrofes. Peguemos a ideia da Gestão da Radiação Solar (SRM), a contínua e massiva liberação de aerossóis em nossa atmosfera para refletir e absorver a luz solar e assim resfriar o planeta. No entanto, o projeto de SRM é extremamente arriscado: ele poderia reduzir colheitas, alterar o ciclo hídrico de maneira irreparável, para não falar de muitos outros fatores que sequer podemos saber que desconhecemos – não podemos sequer imaginar como o frágil equilíbrio de nosso planeta funciona, e de quais maneiras imprevisíveis esse tipo de geoengenharia poderia perturbá-la.

Mas o que podemos fazer é ao menos estabelecer nossas prioridades e admitir o caráter absurdo de nossos jogos de guerra política quando o próprio planeta pelo qual as guerras são travadas está sob ameaça. O jogo ridículo da Europa culpando o Brasil e o Brasil culpando a Europa precisa parar. As ameaças ecológicas deixam claro que a era dos Estados-nação soberanos está chegando ao seu fim. É preciso uma forte agência global com o poder de coordenar as medidas necessárias. E será que a exigência de uma ação desse tipo não aponta na direção daquilo que certa vez chamamos de “Comunismo”?

Fonte: TEXTO ENVIADO DIRETAMENTE PELO AUTOR PARA SUA COLUNA NO BLOG DA BOITEMPO. A TRADUÇÃO É DE ARTUR RENZO

Slavoj Žižek: O que significa ser um revolucionário hoje?

“Nossa única ajuda para Chaves e outros (líderes ditos de esquerda) é sermos, quando eles merecem, impiedosamente críticos. É assim que os tratamos seriamente.”

https://www.youtube.com/watch?v=xVGAVJBqIVo

Qui iure vindicet? – ONDE ESTÁ A ESQUERDA?

“Dedico este pequeno texto a minha filha Luiza Manhã de três anos”

LuisA nossa época pode ser representada como a de uma neutralização de toda saída emancipadora. A sua ‘tolerância’ lacrimosa é erigida para evitar o escândalo que toda política implica. Só há política quando uma situação nos coloca diante de uma forte oposição em que os termos são incomensuráveis. Podemos exemplificar com a oposição entre os plebeus insurretos e os patrícios ciosos do conformismo. Entre eles não havia elemento comum a não ser a luta. Por isso, a política emerge quando se instaura a comunidade do litígio (Ranciére) e não a comunidade do consenso (Habermas).

Enquanto uma relação paradoxal nos coloca diante de uma escolha radical, a relação ‘tolerante’ nos coloca ante uma falsa oposição em que os próprios termos são falsos. Slavoj Zizek, no seu livro “Em defesa das causas perdidas”, lembra que a oposição atual entre democracia e fundamentalismo existe para foracluir a hipótese emancipadora.

A oposição entre a direita e a esquerda é uma típica situação de falsa oposição, pois entre estes termos se visualiza uma elemento comum que indica consenso. Que consenso unifica a direita e a esquerda? O consenso do capital-parlamentarismo. Para ser mais direto, o elemento comum é o capitalismo.

Direita e esquerda são Fukuyamistas, pois enxergam no capital-parlamentarismo o fim da história, partilhando, portanto, da mesma concepção de que a única forma do Bem é o menos pior. Quando isto acontece, a política deixa de existir. É preciso lembrar Jacques Ranciére quando afirma que uma sequência política é rara e só ocorre quando a ordem natural da dominação é interrompida por uma oposição incomensurável. Se esquerda e direita são comensuráveis na medida em que se verifica um elemento comum qual seja a aceitação da economia de mercado como necessária, é sinal de que não existe política e, portanto, vivemos em um tempo modesto e falso.

Somente um ingênuo ou um imbecil (ou os dois) acha que entre Dilma e Aécio há antagonismo. Como salienta Ernesto Laclau, o mecanismo básico da ideologia e, podemos aditar, da política contemporânea, é transformar um antagonismo em simples diferença. Entre Dilma e Aécio o que há é simples diferença porque, quanto ao essencial, concordam: na aceitação da necessidade intransponível do capital-parlamentarismo.

Quando a esquerda deixa de representar, se é que em algum momento representou, uma verdadeira oposição à direita, é porque chegou o momento de ter a coragem de dizer que esta esquerda faliu e deixou-se absorver pelo ideário direitista que é o conformismo e a aceitação da dominação como o único horizonte politico. Então, com esta esquerda, quem precisa de direita?

Quando Espártacus deflagrou a insurreição dos escravos, abriu com seu agir um possível cuja afirmação já perfurava a naturalidade da dominação. No momento mesmo da declaração da revolta já deixou de ser escravo porque se alinhava à divisa do possível/impossível que implica no engajamento: podemos logo; devemos.

A esquerda, sobre ser medíocre e confortada, não pode instaurar uma verdadeira política já que, refestelando-se na cadeira macia dos palácios e paços, renuncia, se é que já teve este ideal, a paixão pela igualdade.

Alain Badiou ressalta que o primeiro grito xenófobo na França não adveio de Le Pen, mas de um ministro de esquerda, demonstrando que há, nas questões centrais, uma cumplicidade entre a esquerda e a direita. Lula não foi o maior continuador de Fernando Henrique?

Diante desse cenário, não devemos ceder à conclusão de que devemos reinventar a esquerda, mas sim encontrar novas formas de organização que escapem a forma-partido com o fito de salvar o povo dos seus supostos salvadores, isto é, libertar o povo da tentação do esquerdismo. É preciso reinventar a política que se dá sempre no confronto e não no consenso enfadonho de nossa época.

Ao entabular esta crítica, não estou fazendo apologia da direita. Ao revés, estou denunciando a fraqueza da esquerda. Mas como os esquerdistas são péssimos dialéticos, irão afirmar que estou fazendo o jogo da direita. É que eles só entendem a lógica do ”isto ou aquilo” e não percebem que o pensamento radical cria, como diria o meu mestre Alain Badiou, um regime diagonal. Entre a direita e a esquerda, resta a diagonal da emancipação humana.

Quando irromperam várias manifestações em julho do ano passado, ficou evidente que a oposição PT x PSDB era uma mera diferença e não um antagonismo. Por isso, os manifestantes se declaram contra os partidos. Não demorou muito para que a medíocre dialética ressurgisse na boca de alguns que apresentaram o argumento tipicamente autoritário: partidos políticos ou ditadura. A forma deste argumento não é idêntica àquele de dolorosa lembrança “Brasil, ame-o ou deixou-o”.

É preciso romper com esta pobre dialética e esta gente que se coloca como redentora de nosso povo. Eles fazem o jogo do capital. Como diria Albert Camus precisamos de homens de Prometeu que, mesmo na densa escuridão, mantem o coração ligado às primaveras do mundo. Precisamos ser os guardiões do futuro da Ideia da Igualdade e da Justiça e não esquerdistas deslumbrados com o consumo.

Luís Eduardo Gomes do Nascimento
Advogado e Professor da FACAPE e UNEB