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Delator deve ser premiado, diz advogada
Executivos que queiram denunciar práticas prejudiciais aos cofres públicos devem ser “incentivados, premiados e protegidos”, estejam na Petrobras, em empreiteiras ou em outra empresa que negocia com o governo.
A opinião é da advogada americana Erika Kelton, uma das maiores especialistas nas leis de “whistleblowers” [gíria americana para o “insider” que faz uma denúncia].
Kelton venceu dois casos que geraram as maiores recompensas da história. Os réus eram os laboratórios farmacêuticos Glaxo e Pfizer, que faziam marketing enganoso de remédios.
As empresas tiveram de pagar US$ 3 bilhões e US$ 2,3 bilhões, respectivamente. As recompensas dadas aos denunciantes foram de US$ 50 milhões a US$ 100 milhões.
No Brasil, a investigação sobre os desvios na Petrobras tem um trunfo nas informações dadas por delatores, como o ex-dirigentes da estatal e ex-funcionários.
Para Kelton, está havendo uma internacionalização dos “whistleblowers” porque os negócios estão ligados mundialmente. “Quase metade dos denunciantes de crimes financeiros em Wall Street não são cidadãos americanos. Quem sabe não existe gente em Nova York que saiba muito sobre a Petrobras?”
No entanto, diz a advogada, elas só decolaram a partir dos anos 1980, quando foi criado um tripé que combina incentivos, recompensas e proteção.”Quando você ganha milhões no seu emprego e se arrisca a perdê-lo, o incentivo precisa compensar.” Ela diz que a maioria das tentativas de proteção é retaliada e que o sucesso depende do momento em que é feita a denúncia: antes ou depois de deixar a empresa. “Meus clientes da Glaxo já tinham saído. O da Pfizer ficou desempregado por seis anos.”
Costa fala de irregularidades em outras duas diretorias da Petrobras, diz Folha
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa citou nos depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal ter conhecimento de irregularidades praticadas na diretoria de Serviços e na divisão internacional durante o período em que integrou a cúpula da estatal, de 2004 a 2012, conforme publicou o jornal Folha de S. Paulo neste sábado.
A diretoria de Serviços e Engenharia foi ocupada, à época, por Renato Duque, segundo a Folha, indicação do PT, enquanto a área internacional estava sob responsabilidade de Nestor Cerveró, apoiado por petistas e peemedebistas, também de acordo com o jornal.
Citando relatos obtidos com advogados que têm acesso a informações do processo de delação premiada de Costa, a Folha informa que o ex-diretor citou nominalmente os ex-colegas, mas não indica se ele os incriminou diretamente.
A reportagem também diz que não está claro se Costa incluiu essas informações em seu acordo de delação, no qual é obrigado a apresentar evidências ou apontar o caminho para provar o que diz ou se falou sobre algo que conhecia sem ter detalhes.
Costa fez um acordo de delação premiada para contribuir com a investigação da polícia em troca de redução de sua pena em investigação da operação Lava Jato da PF. Há duas semanas vazamentos de depoimentos seus apontaram para suposto esquema de propinas relacionado a contratos da Petrobras para políticos e parlamentares da base governista.